reforma tributária

Reforma Tributária: monitorar fornecedores será indispensável

A Reforma Tributária altera como impostos sobre consumo serão cobrados no Brasil. Ela cria novos tributos, altera o fluxo financeiro das operações e transforma o relacionamento entre as empresas e seus fornecedores.
Por isso, a regularidade dos fornecedores passa a impactar diretamente a apuração tributária, o fluxo financeiro e a conformidade da sua empresa.

A Reforma Tributária em linguagem simples

O novo IVA brasileiro

O país está migrando para um sistema de Imposto sobre Valor Adicionado (IVA), modelo utilizado nas economias mais desenvolvidas. Ele substitui tributos antigos e fragmentados por três pilares: IBS, CBS e IS.
A mudança busca padronizar regras, reduzir custos operacionais e trazer mais transparência na formação de preços.

O que realmente muda no dia a dia

A principal transformação está no creditamento amplo. Praticamente todas as compras (bens, serviços, insumos diretos e indiretos) passam a gerar créditos tributários.
Esse mecanismo aproxima o Brasil de modelos internacionais e reduz distorções históricas, mas cria uma consequência direta: qualquer erro na cadeia de fornecimento se torna mais relevante.

Os impactos reais para as empresas

Antes, muitos gastos não geravam crédito. Depois da Reforma, quase tudo gera, e isso aumenta a dependência de informações corretas emitidas por terceiros.
Uma nota fiscal com erro, um fornecedor irregular ou uma classificação tributária incorreta pode resultar em perda de crédito, afetando margem e fluxo de caixa.

Exemplo realista

Imagine uma empresa que compra R$ 50 mil de serviços ao mês. Em um cenário de plena vigência do novo sistema de IBS e CBS, após concluída a fase de transição da Reforma Tributária, essa empresa poderá se creditar de algo em torno de 27% desse valor, a depender da alíquota de referência aplicável ao seu setor.

Isso muda completamente a percepção de risco da cadeia.

Mudança no fluxo financeiro com o Split Payment

O Split Payment — pagamento fracionado — tende a representar uma ruptura operacional à medida que o novo sistema de IBS/CBS estiver integralmente implementado. No regime definitivo, o sistema financeiro poderá reter automaticamente o imposto devido na liquidação da operação e repassá-lo ao fisco, creditando ao fornecedor apenas o valor líquido.
Nesses estágios mais avançados da reforma, o grau de regularidade fiscal do prestador irá influenciar a forma de extinção do débito, o que torna a situação cadastral e fiscal dos fornecedores um fator crítico para a previsibilidade de pagamentos.

Algumas consequências práticas:

  • Fornecedores irregulares recebem menos do que o valor faturado.
  • Empresas passam a lidar com divergências de pagamento sem aviso prévio.
  • Erros ou pendências do fornecedor podem gerar atrasos operacionais.

O efeito final é o aumento da importância da previsibilidade fiscal da cadeia.

A NF-e se torna o centro do sistema fiscal

A partir da Reforma, a nota fiscal eletrônica deixa de ser apenas um documento comercial e passa a ser o principal instrumento de constituição e validação do débito e do crédito no novo sistema de IBS/CBS, num ambiente de apuração assistida e de cruzamento automatizado de dados, especialmente quando o modelo estiver plenamente implementado.
Isso faz com que erros que antes eram vistos como ‘pequenos’ passem a ter potencial para gerar glosas de crédito, autuações e bloqueios de fluxo financeiro.

As empresas precisarão revisar parametrizações, classificações fiscais e cadastros com mais rigor do que nunca.

A nova interdependência fiscal entre empresas e fornecedores

No sistema antigo, o risco fiscal era majoritariamente interno. Já no novo sistema, o risco passa a ser compartilhado.
Isso acontece porque a apuração de impostos depende cada vez mais da precisão das informações enviadas pelos fornecedores, e não apenas das suas.

Essa interdependência exige uma cultura de compliance colaborativo, onde todos os elos da cadeia precisam manter comportamento fiscal adequado.

Como fornecedores impactam diretamente sua empresa

Alguns exemplos ilustram a nova dinâmica:

  • Um fornecedor que não recolhe tributos corretamente pode gerar bloqueio dos seus créditos.
  • Uma empresa que emite notas com erros pode provocar divergências no seu sistema e no sistema fiscal.
  • Em um cenário de implementação completa do novo modelo, uma empresa com pendências fiscais pode ter seus recebimentos submetidos a mecanismos como o Split Payment, o que altera o pagamento esperado e reforça a necessidade de monitorar continuamente a regularidade dos fornecedores.

Antes, a pergunta era: “Minha empresa está correta?”
Agora, a pergunta passa a ser: “Minha empresa e meus fornecedores estão corretos?”

Por que monitorar a regularidade de fornecedores deixa de ser opcional

O grande ponto da Reforma Tributária é que regularidade fiscal se torna um requisito contínuo e não mais eventual. Monitorar fornecedores apenas na entrada do cadastro não será suficiente.

Evitar perdas de crédito

Com créditos mais amplos e valores maiores envolvidos, qualquer falha pode resultar em impacto financeiro significativo. A verificação contínua protege sua empresa de riscos que antes passavam despercebidos.

Garantir continuidade operacional

Fornecedores que recebem menos do que faturam (pela retenção automática) podem atrasar entregas, rescindir contratos ou perder capacidade produtiva.

Reduzir riscos de autuações automatizadas

O novo modelo fiscal incorpora automação e cruzamento de dados em tempo real. Erros serão identificados mais rapidamente, sem espaço para correções tardias.

Manter competitividade e margem

Empresas que dominam a gestão fiscal da cadeia conseguem:

  • negociar preços com mais clareza,
  • evitar repasses indevidos ao consumidor,
  • prever impactos com mais precisão.

A Reforma cria um cenário onde eficiência fiscal se traduz em vantagem competitiva.

Um guia simples para começar agora

Antes de implementar mudanças estruturais, é importante iniciar com ações simples que criem uma base sólida para a adaptação ao novo modelo tributário. Pequenos ajustes feitos agora reduzem riscos, aumentam previsibilidade e ajudam a identificar pontos críticos na relação com fornecedores.

  • Revise cadastros fiscais dos principais fornecedores.
  • Avalie capacidade atual de validação de NF-e e parametrizações.
  • Identifique fornecedores críticos para o fluxo de caixa.
  • Adote uma rotina de verificação contínua, não apenas pré-cadastro.
  • Atualize contratos com cláusulas de compliance compartilhado.

Este checklist funciona como ponto de partida e não como solução completa. Ele demonstra a necessidade de uma gestão ativa e constante, adaptada às novas exigências.

Conclusão

A Reforma Tributária inicia uma nova era para a gestão fiscal no Brasil. Ela simplifica o sistema, amplia o crédito e promove transparência, mas também exige uma postura mais estratégica das empresas.

O maior impacto não está apenas nos novos impostos, mas na forma como cada elo da cadeia influencia o outro. Por isso, monitorar a regularidade fiscal dos fornecedores deixou de ser uma boa prática e se tornou uma necessidade operacional e competitiva.

Nesse contexto, a Exato Digital apoia empresas na construção de uma cadeia segura com nossas soluções de verificação contínua de fornecedores. Com nossos relatórios de background check de empresas, sua área de compras verifica automaticamente a situação cadastral, fiscal e documental de cada parceiro, identificando riscos em tempo real e reforçando o compliance colaborativo exigido pelo novo ambiente tributário.

Empresas que adotarem esse olhar conquistarão previsibilidade, segurança e vantagem sobre concorrentes que ainda operarem no modelo antigo.

Quer entender como a Exato pode ajudar sua empresa a manter a cadeia de fornecedores saudável? Entre em contato com nosso time!